sexta-feira, 2 de agosto de 2013

CHUVAS DISSOLVENTES




Perderemos a honra?



Era uma festa… como outra qualquer; todos riam, sorriam… viam os carros alegóricos passar…

Viam-se as tradições, as desfolhadas, as cabras…
O leite davam… os bombos que tocavam… viam-se as freguesias presentes e passadas a desfilar… definhar…

Entregamos o poder de o ser nas mãos de quem nos quer ver… pequenos.. e a mirrar…

Adeus Porto do Graal…



Entretanto o homem de negro tocava, ali onde ninguém estava a olhar…

À beira rio, no parque nascido com brio – repetia o seu triste cantar… onde os meninos brincam, onde os seus pais os animam… outros meninos combinavam agora se encontrar…
Era noite cerrada e o lobo farejava… disposto a atacar…

O Homem de negro seguia… seguia… a mesma cadência no seu “tam-tam”… ninguém notaria que entre o ritmo escondia, o ritmo da decadência enquanto o mundo inteiro olhava para outro lugar…

Os meninos vinham… com gestos de filmes se entretinham… passas à socapa – bem no meio da estrada – todos viam… arredavam… ninguém se atrevia ali a passar… perímetro de “magia”…. Ecos de negra sintonia… começava a festa negra e ninguém parecia se importar…



Passa atrás de passa, tosses pelo meio para avisar… que se perdia a inocência enquanto o mundo girava de forma apressada… o mundo via… até olhava… ninguém parecia se interessar… indiferença que mata.. primeiro os dos outros… depois aqueles que te atreveste a amar… começa assim suavemente… morte inteligente.. que resseca a vida em todo e qualquer lugar…

Vinham mais meninas, de roupas finas… telemóvel em mão… diziam “na ilha”… e enquanto os dois grupos aos lados guardavam a entrada – círculos fechados sobre as mesas envernizadas, rodando o cigarro enrolado de mão em mão -  as meninas passavam, sobre a escada – mão no corrimão… direcção à escuridão… telemóveis que soavam e alertavam se houvesse confusão…

O do tam-tam seguia… como se fosse um grupo ele se luzia… o seu eco encontrando ecos latentes no meio da multidão… as vozes de degredo em silêncio berrando seu medo… alastrando como fogo negro entre a palha seca das gentes velhas que agora queriam era diversão… fartos de serem gastos… ninguém para guardar os caminhos de solidão…



E os meninos da ilha eram muitos… as labaredas do que fazia se ouviam e sentiam… entre o ruído da festa ninguém os ouvia, sabia ou reconhecia… no dia seguinte seriam os filhos pródigos…  latentes entre as outras gentes…

sorrisos irónicos…. Sardónicos… baixo as peles que – pendentes – anunciavam a sua podridão… lobos de pele de cordeiro… tantos lobos… onde quem desse vida nova quando ninguém queria ver… saber… proceder em contra da negra maré?...



Veio outro estranho… olhar furtivo… cruzou o jardim garrido… feito de sonhos para crianças, por mãos de pais e avós…

o estrangeiro… lobo pioneiro… juntou seu tocar ao do tam-tam… e juntos ocuparam o lugar…

O castelinho caía… nessa negra sintonia… iam as crianças -  outrora esperança - agora frutos do mesmo escuro negrume que corroía a terra e quem nela se esforçou… e agora assim, neste degredo que não parece querer fim… assim se afundou…



Passou o grupo, pois um ser estranho, ousar entrar entre o falso rebanho, estar onde ninguém entrou… olhar nos olhos quando ninguém olhou… alertar quando tudo calou…

Telemóveis na noite brilhavam.. as matilhas davam sinais que ecoavam… tomavam cervaria para plantar bandeiras de dor…



Lá em cima a festa seguia… palavras leves de sintonia… o do tam-tam… zé-zé… o bater do batuque para todo o que não o vê… e o de negro crescia e subia.. submergia mais umas vidas sem ninguém notar… que entre a folia e o ruído sem brida… maninos criança eram preparados para se iniciar…

Soava a campainha de alarma… a guarda era avisada… alguém podia dizer ou fazer onde ninguém fazia nada… tudo habituado pela propaganda da ocupação… era normal ver e olhar… a criança agarrada à droga a fumar… líderes vazios maiores de idade, levavam a juventude sem idade para a escuridão… a ilha não iluminada, o silêncio de quem passa e não faz nada.. as águas… negras… e o mundo parou…



“Eristoff” plantada como bandeira entre o jardim que se amava… putos que bebiam e se reconheciam com gestos de mistura entre granfino e coisa sem tino… e o do tam-tam que tocava… e tocava.. e preenchia a praia outrora bela… com o som sem eco de vida que se esvaía... enquanto ele preenchia sombras tecidas pela guarda baixada de quem outrora zelava e agora já não fazia nada…

Os fogos negros se estendiam… na praia de Valença ardiam… putos metidos em carros a beira rio… festas para eles preparadas… por organizações que viam meios nos humanos desígnios para manter a moeda viva sendo esta mais garrida do que a vida humana assim vendida – metas curtas que cobram vidas pela moeda de troca assim cobiçada…



Histórias de Valentias… outrora – ironias – que apenas acontecem em terras nas que ninguém mexe uma palha…  nessas  ardem os jovens: na menos-valia enquanto os adultos olham e a eles renunciam… hipnotizados… de medo paralisados… estupidificados pela campanha de horror e maravilha de média criados para os manter dormentes… silentes… ausentes…

Nos espaços trabalhados – para pais e filhos amigos – era normal:



já não mais desatino – que os putos criança metessem na pança a mistura de cerveja, licores e vinhos cada qual com maior poder… eos grandes que geriam negócios – a cantar no seu “tam-tam”… a engordar com o sangue do amanhã…



Era ver Tui a arder…a vender… a delapidar a esperança de um bom amanhã… tudo baixo a desculpa de que não são os que gerem os negócios os pais… de que a polícia responsável não jura a ordem… uns juram umas bandeiras, outras umas armadas, outros umas constituições, nações… coisas raras… como se a gente assalariada apenas fizesse o que a razão manda se houvesse um bónus ou uma benesse por parte de quem em verdade os manda… ganância!...



As autoridades deixavam passar, havia a lei tácita de ver e calar… eis a nova invasão… as portas de entrada directas ao coração… e os seres humanos ainda vivos olhando em crescente de satino enquanto os outros se escondiam ou pulavam desde os buracos onde viviam para celebrar a queda do lar que os sutinha e que – agora – era pasto das larvas, da podridão e do pó..…



Eis o novo ”normal”…

Tretas sem eira nem beira para justificar… corruptos que venderam a alma e esperam que todos façam igual…



O certo – é que está mal…

Que catorze ou quinze primaveras sejam festejadas em tons de bacanal… está mal…

Queos espaços comunitários – para novos, crianças… pais e suas esperanças – sejam ocupados… assim  sem mais – pelo degredo de um mundo em desatino – sem que ninguém com algo de brio queira saber, ver, olhar, apontar… e lutar para que essa lacra vá de novo a fossa de onde veio… e de onde não deveria voltar…


O cavalo de tróia entrou nas nossas portas… mil e um rostos – uma única voz de degradar…
São os valores humanos a escorregar… são as paredes do templo da vida a desabar…. Tudo vale e se vende… e ninguém para lembrar… olha tudo para outro lado… faz-se do livre assim escravo:
do medo, da ignorância… da simples e pura indiferença – que é sinal de força suprema de que as paredes estão quase a desabar…



Se os idosos a apodrecem algures, se as mulheres e os homens entre pólos opostos em guerras sem nexo nada nos dizem… se as supostas “crises” para ocupar as mentes e os média das sensações esdrúxulas que em tudo nos mentem… se mesmo isso não deu ainda sinal de que algo de errado está a acontecer neste nosso verde vale soleado:

então que sejam as crianças sacrificadas nos templos de degredo em noites bem organizadas – as que berrem as suas vozes aos céus… até que a luz maior desperte… ouça o que nos compromete… ilumine desde dentro o que mata sem sentimento… e a cadência do tam-tam cesse… e deixe de novo a brisa viva prevalecer…



Até lá – ouve e repete – em cada vez que vês e nada em ti mexe… se estás tão cego que te não toque.. te não diga respeito… não te doa por dentro… sente se não estarás morto já…

Seja a água do céu, o fogo da terra ou a Luz que à luz te deu… que importa o que seja se – a ti – tanto te deu… como senão deu?...

Que te importa amigo meu?...
que te importa mais do que a cenoura retorta que puseram à frente do carro que puxas em cada dia bizarro no que ignoras para onde te leva a corrente negra à que deste o teu ser?...


Que importa amigo meu?... a quem importa?...

(talvez seja tempo de contratar GENTES DA TERRA e organizar grupos de ronde de "polícias municipais"... pode ser uma ideia para "aliviar" as ideias de quem quem atirar abaixo o mérito que se constrói no tempo e trazer sombra e degredo onde é a luz que deve brilhar... pode ser uma ideia)

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