E o menino contempla
– ridente –
lamenta
o seu porvir
Olha a calva
Da triste alma
que o sustenta
– e tenta –
atenta
na mesma sorrir
Não vê o seu guarda a pomba
Que – silente
Começa a florir
Asas abertas
– luz que desponta
Alegre
Por dentro
neste estranho firmamento
Mundo que há de vir…
Por enquanto se ignora
– se é deus, senhor ou senhora
Ou se o mundo que chora
– há de rir
Se as vidas pacatas
e suas curvas
ingratas
– serão o caminho a seguir
Entre volta e volta
vem a afronta
vem e eleva
quem se atreva
a sorrir
Ao que se passa em redor
Do que há
– por favor –
que gerir
O certo
é o fundamento
de um dia melhor a surgir
Agora
esse tempo demora
– passa sem deixar marca
deixa toda a gente de fora
Há uns quantos que choram
entre outros tantos
que se estão a rir
Até que o dia esmoreça
– lâmina de verdugo desapareça
A alma esguia enrijeça…
E – na verde e calva cabeça
Apareça
A luz de um novo Abril…
Não um de faz de conta
Nem uma primavera que desponta
Sim rosa alva a se abrir
Uma mais pura
que esta vida ignota
presa à canhota
do pau que a leva pedir
Falamos de algo NOVO
– um assombro tolo
para quem espera
o velho estorvo
de se erguer e partir
De esperar que os “negros”
– se atirem sem tento
Contra o seu próprio sustento
Muro esquecido e velho
Como um triste espelho
Pálido verde e derradeiro
Que nos sustém aqui
Agora – se do outro lado –
Esses lá de fora
Virem o que toda a gente ignora
E decidirem agir
Se vier uma luz que se acenda
Em ti e em mim e se estenda
Por todo aquele que aderir
Então será a pomba
O falcão que ribomba
Relâmpago vivo
que desponta
Que com o Leão
se começará a rir
Juntos os trunfos
Juntos baralhos
Serão cartas novas
Serão livres escravos
E se ouvirão os ecos passados
Dos Gigantes torturados
De novo livres, dos danos causados
Seres vivos entre os rochedos pousados
Já sabes
Qual o fado
Daquilo que se sabe…
já se vê…
e que eu calo…
Por isso falo…

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