sábado, 26 de outubro de 2013

Fado da Ialma


E o menino contempla
– ridente –
lamenta
o seu porvir

Olha a calva
Da triste alma
que o sustenta
– e tenta –
atenta
na mesma sorrir

Não vê o seu guarda a pomba
Que – silente
Começa a florir




Asas abertas
– luz que desponta
Alegre
Por dentro
neste estranho firmamento
Mundo que há de vir…


Por enquanto se ignora
– se é deus, senhor ou senhora
Ou se o mundo que chora
– há de rir

Se as vidas pacatas
 e suas curvas ingratas
– serão o caminho a seguir

Entre volta e volta
vem a afronta
vem e eleva
quem se atreva
 a sorrir

Ao que se passa em redor
Do que há
– por favor –
que gerir

O certo
é o fundamento
de um dia melhor a surgir

Agora
esse tempo demora
– passa sem deixar marca
deixa toda a gente de fora


Há uns quantos que choram
entre outros tantos
que se estão a rir

Até que o dia esmoreça
– lâmina de verdugo desapareça
A alma esguia enrijeça…

E – na verde e calva cabeça
Apareça
A luz de um novo Abril…

Não um de faz de conta
Nem uma primavera que desponta
Sim rosa alva a se abrir

Uma mais pura
que esta vida ignota
presa à canhota
do pau que a leva pedir

Falamos de algo NOVO
– um assombro tolo
para quem espera
o velho estorvo
de se erguer e partir

De esperar que os “negros”
 – se atirem sem tento
Contra o seu próprio sustento
Muro esquecido e velho
Como um triste espelho
Pálido verde e derradeiro
Que nos sustém aqui

Agora – se do outro lado –
Esses lá de fora
Virem o que toda a gente ignora
E decidirem agir

Se vier uma luz que se acenda
Em ti e em mim e se estenda
Por todo aquele que aderir

Então será a pomba
O falcão que ribomba
Relâmpago vivo
que desponta
Que com o Leão
se começará a rir

Juntos os trunfos
Juntos baralhos
Serão cartas novas
Serão livres escravos

E se ouvirão os ecos passados
Dos Gigantes torturados
De novo livres, dos danos causados
Seres vivos entre os rochedos pousados

Já sabes
Qual o fado




Daquilo que se sabe…
já se vê…
e que eu calo…

Por isso falo…





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